Tuesday, October 17, 2006

Aos meus filhos QUERIDOS !

Na Romênia, uma mulher dizia sempre à seus filhos:
_ “Haja o que houver, eu sempre estarei ao lado de vocês”.

Houve nesta época um terremoto de intensidade muito grande, que quase arrasou as construções lá existentes nesta época.

Estava nesta hora esta mulher em uma estrada.

Ao ver o ocorrido, correu para casa e verificou que seus filhos estavam na escola. Foi imediatamente para lá. E encontrou a escola totalmente destruída. Não havia restado uma única parede em pé...

Tomada de uma enorme tristeza ficou ali ouvindo as vozes felizes de seus filhos e sua promessa (não cumprida)

...”Haja o que houver eu sempre estarei ao lado de vocês.”

Seu coração estava apertado e sua vista apenas enxergava a destruição.

As vozes de seus filhos e sua promessa não cumprida a dilaceravam. Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando a mãozinha de cada um.
O portão (que não mais existia)....
Corredor .....
Olhava as paredes, vendo aqueles rostinhos confiantes..., os seus olhinhos verdes, castanhos, castanhos bem escuros ...

... passava pelas salas , virava o corredor e olhava ao entrar. Até que resolveu fazer em cima dos escombros, o mesmo trajeto.
Portão....
Corredor....
Virou a direita...
E parou em frente ao que deveria ser a porta da sala de um deles.

Nada! Apenas uma pilha de material destruído.
Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe.
Olhava tudo... desolado....
E continuava a ouvir sua promessa:
_ “Haja o que houver, eu sempre estarei ao lado de vocês”.
E ela não estava.

Começou a cavar com as mãos.
Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolado, tentavam afastá-la de lá dizendo:
_ Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém.
_ Vá para casa.
Ao que ela retrucava:
_ Você vai me ajudar?
Mas ninguém ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam.

Chegaram os policiais, que também tentaram retirá-la dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida. Haviam outros locais com mais esperança.

Mas esta mulher não esquecia sua promessa aos filhos, a única coisa que dizia às pessoas que tentavam retirá-la de lá era:
_ Você vai me ajudar?
Mas eles também a abandonavam.
Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa....
_ Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai pôr em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar pois continuam havendo explosões e incêndios.
Ela retrucava:
_ Você vai me ajudar?
_ Você está cega pela dor e não enxerga mais nada. Ou então é raiva da desgraça.
_ Você vai me ajudar?
Um a um todos se afastavam.

Ela trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali.

Cinco horas, dez horas, doze horas, vinte e quatro horas, trinta horas....

Já exausta, dizia a si mesmo que precisava saber se seus filhos estavam vivos ou mortos. Até que ao afastar uma enorme pedra, sempre chamando por eles, ouviu:
_ Mãe.... estamos aqui!

Feliz, fazia mais força para abrir um vão maior e perguntou:
_ Vocês estão bem?
_ Estamos. Mas com sede, fome e muito medo.
_ Tem mais alguém com vocês?
_ Sim, 14 estão conosco; estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos todos bem!

Apenas se conseguia ouvir seus gritos de alegria.
_ Mãe, nós falamos para eles:
_ Vocês podem ficar sossegados, pois minha mãe irá nos achar. Eles não acreditavam, mas nós dizíamos a toda hora...
_ “Haja o que houver nossa mãe estará sempre ao nosso lado”.
_ Vamos, abaixem-se e tentem sair por este buraco.
_ Não, ! Deixe-os saírem primeiro....
_ Sabemos que haja o que houver... você estará sempre nos esperando!

( Caso Verídico )

Filhos queridos, mamãe os ama muito e sempre, sempre estará do lado de vocês.
Um beijo grande.
BH, 16/10/2006.
Cristina

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