VALE A PENA LER E REFLETIR ... "Estado de Minas - DOMINGO - 15 de abril de 2007"
Uma das lições que deveríamos tentar colocar em prática todos os dias é a que nos deixou Freud em seus Três ensaios sobre a teoria da sexualidade infantil. Na última parte da lição, ele se dedica ao estudo da puberdade e realmente coloca muitos pingos nos is. Devia ser leitura obrigatória para todos os que se candidatassem a ser educadores, pais e mães.
Nela, Freud nos lembra a importância do primeiro amor, o da mãe ou cuidadora, para o futuro da vida sexual da cria humana e que a amamentação prepara esse caminho. Essa primeira relação da criança é uma fonte infindável de excitação e satisfação. Depois dela todas as outras relações serão uma tentativa de reencontro desse primeiro amor. Só que esquecemos tudo isso. E não só esquecemos, somos obrigados pelo pai, por outros interesses da mãe, a reconhecer que não somos tudo para ela, e isso nos obriga a buscar outros amores fora do seio familiar.
Se o pai soubesse a importância de sua entrada nesse idílio entre mãe e filho, não se afastaria acreditando ter perdido terreno para o filho.
Ao contrário, se colocaria em posição de homem desta mãe e nunca abriria mão de sua posição privilegiada por ninguém.
Freud também afirma a importância dessas primeiras relações para que o filho cresça saudável e se torne uma pessoa forte e capaz de realizar tudo aquilo que os seres humanos são impelidos a fazer.
Ressalta a necessidade de dosar a atenção e o amor pelos filhos, pois o excesso de mimo é capaz de prejudicar sua vida.
Podemos pensar, depois de ler este capítulo, que o amor é como uma droga. Vicia. E aquele que recebeu demais jamais se contentará com menores doses, tornando-se adulto infantil, imaturo e exigirá de seus parceiros a exclusividade que um dia recebeu de seus pais. A qualquer sinal de falta, ele entra em crise de abstinência. E se comportará como uma criança mimada, birrenta e ficará emburrada caso seja contrariada.
Agora, leitores e leitoras, venhamos e convenhamos, tem bastante gente assim. E conviver com elas não é nada fácil. Isto quer dizer que muitas destas reações passionais estão relacionadas as nossas vidas e família.
E às teorias infantis que criamos para explicar aquilo que não entendemos bem. Elas se tornam nossas ficções para toda a vida.
O que faz mais mal talvez nem seja a rejeição, como sempre supusemos. Em excesso, tanto rejeição quanto mimo são, os dois, nocivos.
Somos da geração da psicologização da educação. Acreditamos nos ditames da psicologia e da pedagogia modernas, que inibiram os pais de castigar, de punir, de zangar e se importou demais com o bem-estar de suas crianças colocando-as como centro de interesse da família. Sua majestade o bebê foi bastante prejudicado pela pesada coroa colocada sobre sua cabeça: a coroa da satisfação total impossível de realizar.
Alguns pais agem como se os filhos fossem apenas sua continuação, e através deles pudessem corrigir os erros de seus pais. Compensadores de suas próprias frustrações nos filhos, esqueceram-se de que as faltas de seus filhos serão outras e não as mesmas que as suas.
Também vivemos a geração das novas formas de família, como chamamos hoje as famílias de pais separados e casados pela segunda vez, com filhos dos dois casamentos, que inseguros, não sabem como lidar com uma situação sem precedentes.
Seria esse um dos motivos para encontrarmos hoje adolescentes tão arrogantes e autoritários? Em parte sim, pois já é de se esperar a oposição, própria da adolescência, como um desejo de independência e de assumir uma voz própria diferente da dos pais. Por outro lado, são esses os adolescentes criados com excesso de mimo. Se dão direitos demais. E nem sempre se importam com a má impressão que vão causar. Afinal, eles são as majestades de seus pais e só perderão a majestade quando caírem no mundo.
E daí por diante... já sabemos que aprenderão com a vida e à duras penas.

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